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SONHO DE VOAR
 


O INÍCIO

          Ottmar Reichert, alemão nascido em Heilbronn – Alemanha, veio em 1924 com 11 anos de idade ao Brasil – Santa Cruz do Sul, sempre carregando consigo o sonho de construir um avião. Começou quando era garoto, fazendo miniaturas, baseado em fotos e gravuras, as mesmas que serviram de modelo para construir o planador SC1 (modelo Grunau 9).

A idéia que desencadeou toda história da aviação em Sta Cruz teve origem num baile da Sociedade Ginástica na década de 30, quando Ottmar apresentou a idéia de construir um avião para um grupo de amigos, que prontamente o apoiaram.

Reichert recorda: “Nos chamavam de loucos”, “querem se matar”... Mas eles não ligavam para isso. Era uma “paixão inexplicável”.

Grupo:

Willy Stahl, João Carlos Kolberg, Hugo Reichert, Rodolfo Stahl, Lauro Holtz e Ottmar Reichert que assim se tornaram os fundadores do Aeroclube de Santa Cruz do Sul

 

 

 



Escrito por . às 12h17
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LOCAIS E RECURSOS

 

          Quando o grupo resolveu se dedicar ao esporte da aviação a vela eles dispunham de apenas uma foto publicada em um jornal alemão. Deste modo, para terem uma idéia das dimensões do planador, mediram a altura de uma pessoa sentada e, transferindo esta estimativa para a foto, obtiveram uma escala. Partiram então para a montagem, enfrentando grandes dificuldades, oriundas do ambiente acanhado e de ordem financeira mas, de etapa em etapa deram forma ao seu idealismo, fazendo surgir planador SC1

O maior problema era a aquisição do material, pois como não tinham dinheiro, necessitavam improvisar. Com algum sacrifício do grupo, conseguiram obtenção do madeiramento; dobradiças eram feitas de alumínio ou então retiradas de sucatas de automóveis; o pano para entelagem foi dado pelo entusiasmado por aviação, Carlos Hoelzel; etc.

Também enfrentavam grandes dificuldade pela falta de conhecimento técnico o que resultou em diversos erros. Deste modo, os comandos do leme de direção foram montados ao contrário do convencional na aviação; o revestimento das asas e empenagem, seguiram sugestão dada por um piloto da época porém, não aprovou e ao ficar exposto ao sol a tela ficava frouxa.

As limitações e dificuldades foram enormes....

 



Escrito por . às 12h14
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LOCAIS

  

         A montagem foi realizada nas horas vagas em um galpão cedido por Alberto Reichert, pai de Ottmar e Hugo, localizado na residência da família na rua Gaspar Silveira Martins. Também foi cedido um hangar que pertencia a Carlos Hoelzel o qual havia sido construído para guarda do primeiro avião a motor a pousar em Santa Cruz, comprado por ele no Uruguai em 1931 e posteriormente vendido. Este local era próximo a um campo de pouso que a Varig possuía  na cidade e que recebia os F13 da linha Porto Alegre-Santa Cruz. (local  onde atualmente se localiza empr. Philipp Morris – Distrit.industrial )

 

Galpão localizado rua Gaspar Silveira Martins

 

 

SC1 quase concluído.

 

 

 



Escrito por . às 12h14
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MEIO DE TRANSPORTE PARA TREINAMENTO

Uma vez pronto o planador, partiram para a construção de uma carreta para transporta-lo, pois necessitavam deslocar-se aproximadamente 8 km até o campo de aviação e inicialmente faziam o percurso a pé com o planador nas costas. Posteriormente foi adaptada a carreta a um automóvel fornecido por um certo tempo pelo Sr. Cel. Oscar R Jost, Prefeito Municipal e depois pelo integrante do grupo, Sr. João Carlos Kolberg,  com o seu Ford tipo 24.

 

 O SC1 era levado literalmente nas costas...

 

 

 

De carro até parecia ser mais facil...



Escrito por . às 12h14
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PERSISTÊNCIA DO GRUPO E TENTATIVAS DE VOO

  

Todo o grupo trabalhou com afinco no projeto pioneiro e, depois de meio ano, finalmente o SC1, o primeiro planador, ficou pronto. Mesmo com todas as dificuldades na execução de um projeto desconhecido, o maior desafio ainda estava para ser vencido: conseguir voar com o aeroplano feito artesanalmente.

 SC1 finalmente pronto

 

 

          Inicialmente utilizaram para reboque a camionete Ford. Com a pouca potência do motor não foi possível elevar o planador do solo. No domingo de páscoa de 1934, novamente no campo de aviação, reuniram coragem suficiente para solicitar ajuda a  um motorista de um automóvel que estava próximo a pista, foi um Ford V8. Com potência de sobra no carro, o planador saiu logo do solo. Subiu uns 4 ou 5 metros do chão quando o inexperiente piloto Ottmar acionou o manche para frente vindo a tomar contato com a pista de maneira brusca. O planador foi danificado, mas o piloto saiu ileso. Mas valeu a emoção de sentir o avião levantar do chão... Segundo suas palavras "Não sei o que senti no primeiro vôo, acho que tive vontade e medo de descer". Ottmar e sua turma tinham entrado para a história da aviação, como uns dos precursores do vôo a vela no Brasil.

 

 

SC 1 se preparando para o vôo

 

 

Na segunda tentativa, o planador devidamente reformado, alcançou cerca de 30 metros de altura, num trajeto de mais ou menos 200 metros, entusiasmando a turma fanática por voar.

 

 

 

Aconteceram outras experiências, mas o grande drama dos pioneiros da avião eram as descidas, que sempre quebravam a estrutura do planador.

Inconformado, Ottmar resolveu tomar algumas providências, entre elas escrever uma carta em alemão ao cônsul da Alemanha em Porto Alegre. A Intenção era conseguir subsídios para decifrar o enigma da aterrisagem suave que evitasse os prejuízos.

Como resposta foi indicado o comandante Carl H. Ruhl que trabalha na Varig para dar orientação. O primeiro conselho do comandante era de suspender temporariamente os vôos de experiências feitos pelo grupo. Ele argumentava que poderia ocorrer um acidente que poderia terminar com a aviação no município.

Durante dois meses os vôos foram suspensos e, depois de algum tempo o comandante Ruhl chegou à cidade procurando os aviadores. Ficou espantado com o primitivo protótipo de planador construído pelo grupo e, em seguida deu ordens para que um deles fosse a Porto Alegre fazer um curso técnico sobre aviação junto a Varig.

Ottmar fez um estágio de 44 dias onde estudou, trabalhou e voou muito, aumentando seus conhecimentos sobre o assunto.

Na volta, já com o apoio da VAE – Varig Aero Esport  começou a funcionar o Aeroclube Santa Cruz do Sul.

Com o apoio da VAE receberam uma autêntica planta de um planador primário Grunau 9 e obtenção de material para sua construção. Iniciou-se então a construção do SC2, que foi feito com maior facilidade e já acrescido de entusiastas.

 

 

 



Escrito por . às 12h14
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MANEIRAS UTILIZADAS PARA REBOCAR O PLANADOR

  

Sem contar com motor e as atuais técnicas de decolagem por reboque, onde um avião leva o planador até o alto, os pioneiros usavam carros e cabos de borracha.

 

Cabo de borracha:

 

 Cabo de borracha cedido pela Varig

 

 

O cabo era esticado por rapazes em cada ponta e dois segurando a cauda do planador, um sistema de “estilingue”.Esticavam e depois soltavam projetando o planador. Este sistema não aprovou em virtude do terreno plano. É utilizado em colinas.

 

 

 

 

 

 

Rebocado por carro:

 

 

Com o FORD V8 foram conseguidos melhores resultados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por . às 12h14
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CONQUISTAS...

   

Toda esse trabalho e dedicação foi recompensada, por um prazer que somente quem voa é capaz de entender...

Ottmar preparando-se para mais um voo, sem esquecer do capacete, afinal, segurança em primeiro lugar.

 

 

Nunca faltava gente para ajudar.

Acidentes eram inevitávies... mas ninguem morreu.

 Sempre estavam cercados de admiradores.

 

 

  

Versão com cabine fechada

 

 

O SC2 virou atração na cidade de Santa Cruz do Sul

 

 

Ottmar Reichert ficou conhecido como o Santos Dumont de Santa Cruz

 

 

 

E para os que duvidaram....

 



Escrito por . às 12h14
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SURGIMENTO DO AEROCLUBE SANTA CRUZ

  

Em 1934 o grupo de jovens santacruzenses, tendo a frente Ottmar Reichert resolveram dedicar-se ao esporte da Aviação a Vela. Com o auxílio da VARIG AERO SPORT, de quem o pequeno grupo passou a ser filial, dirigindo-se pelos seus estatutos puseram mãos à obra.

Em 26/07/1940 ficou definitivamente organizado o Aeroclube com a elaboração e aprovação de seus estatutos, tendo como presidente Luiz Beck da Silva. Foi autorizada e iniciada a construção do hangar que seria inaugurado em 23 de outubro daquele ano e sua construção dirigida por Frederico Goldmann e executada aos domingos pelos sócios. Acontece que no dia 1º de outubro, Santa Cruz foi varrido por violento temporal que destruiu, num minuto, o trabalho exaustivo de mais de um mês. Mas a turma de abnegados não se deixou vencer e voltaram ao trabalho. E a inauguração pode ser realizada no dia marcado.

Em 1942 receberam a doação de dois aviões a motor.

O ano de 1959 foi um ano negro da história do Aeroclube. No dia 14 de outubro um vendaval desabou em Santa Cruz que destruindo o Hangar, liquidou com todo o patrimônio do Aeroclube. Quatro aviões ficaram reduzidos a ferro-velho. Mas não foi só isso, tudo que possuía o Aeroclube foi presa da fúria da natureza. Tiveram os seus abnegados associados de começar tudo de novo, ressuscitando o Aeroclube daquele monte de destroços.

Em 1960 foi iniciada a construção de um novo hangar, agora já no novo campo de aviação em terreno cedido pela Prefeitura Municipal.

 

 

  

 

 

 

 



Escrito por . às 12h14
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A ERA DOS AVIÕES A MOTOR

 

 

O ano de 1941 foi o marco inicial dos vôos a motor em Santa Cruz quando o primeiro avião a hélice foi doado graças a uma campanha nacional.

O “Casemiro de Abreu” chegou em 18 de janeiro de 1942 era o Piper J-3. O doador foi o então prefeito do Rio de Janeiro, que, na época, era Distrito Federal. Era a campanha “Dê Asas ao Brasil”.

O segundo avião a motor foi o “Vale do Paraíba” desta vez cedido pela Caixa Econômica Federal.

Para fazer espaço no hangar, os planadores SC1 e SC2 foram colocados na rua e toda a atividade de vôo a vela cessou. Anos mais tarde o que havia sobrado deles foi queimado por ordem do então presidente do aeroclube.

 

   

 



Escrito por . às 12h14
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SEGUNDA CASA

 

Ottmar Reichert continuou sendo membro do ASC seja como piloto, membro da diretoria ou apenas nas suas freqüentes visitas, afinal, o aeroclube era uma extensão da sua casa...

 

O finais de semana sempre eram marcados pelos encontros no aeroclube.

 

 

 Ottmar sempre fez questão de preservar a história do ASC

 

 

 

O grupo sempre foi lembrado pelos seus feitos, como nessa foto, onde Ottmar recebe uma homenagem pelo centenário da aviação.



Escrito por . às 12h14
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FICAM AS LEMBRANÇAS...

  

No dia 24/08/2007, Ottmar Friedrich Reichert, aos 94 anos,  foi em busca do seu vôo mais alto...

 

Foi uma vida dedicada aquilo que sempre acreditou...

 

Ficará para sempre na história da aviação brasileira e entre nossas melhores lembranças.

 

Nos deixa o exemplo de pessoa e a lição de que quando se tem um sonho, nada é impossível...

 

Para Santa Cruz do Sul fica uma lembrança eterna, o Aeroclube de Santa Cruz.

 

 

 

 

No dia 05/09/2007 faleceu Hugo Reichert, aos 88 anos, em Porto Alegre (Eldorado do Sul).

Mais um dos pioneiros do vôo a vela a voar em outros céus.

 



Escrito por . às 12h14
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 Reportagem no JORNAL GAZETA DO SUL  fala sobre a historia de Ottmar e cita o Blog SONHO DE VOAR.

http://www.gazetadosul.com.br/default.php?arquivo=_noticia.php&intIdConteudo=81432&intIdEdicao=1251

 

 



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